
O Internacional de Porto Alegre tem se diferenciado nos últimos anos fora dos campos pelo belo trabalho de marketing de relacionamento e fidelização que vem realizando junto aos seus sócios, que já passam de 80 mil pessoas, número impressionante até para os padrões europeus. Desde 2004, quando foi iniciado o trabalho, esses sócios-torcedores vêm conquistando diversas vantagens, sendo a principal delas a preferência na compra de ingressos. Na final da última Copa Sulamericana, contra o Estudiantes da Argentina, todos os 55 mil ingressos foram vendidos para sócios, por exemplo.
No dia 4 de abril de 2009 o clube gaúcho completará 100 anos e o cronograma dessa festa foi anunciado no último dia 23, quando a diretoria de marketing apresentou a programação dos eventos que serão realizados durante os próximos 12 meses. No menu, ações como: museu, shows, caminhadas, missas, presença de antigos ídolos e personalidades, transmissões na internet e até um filme sobre o assunto.
“Pesquisamos o que diversos clubes haviam feito nos seus centenários. Geralmente, era um jantar, um amistoso e a contratação de algum jogador. Mas nós queremos ir bem mais longe. A internet nos possibilita atingir um número gigantesco de torcedores. Por isso o slogan da celebração do Inter é o ‘Centenário de todo mundo’. Estamos transferindo para o torcedor o compromisso da festa. Todos podem fazer a sua própria celebração”, declarou Jorge Avancini, vice-presidente de marketing, ao site oficial do clube. (clique aqui para ler a matéria completa)
Abaixo, confira trechos da entrevista que blog Jogo de Negócios fez com Jorge Avancini:
Sobre os eventos
“Não separamos nenhum valor específico do orçamento para essas ações que divulgamos. Na verdade elas terão que se viabilizar, tem que acontecer, pois o clube não vai usar o orçamento do futebol para isso. Como? Com patrocínios e a participação dos torcedores.”
O trabalho com os associados
Os clubes do eixo RJ-SP, pela visibilidade que tem, conseguem contratos de patrocínios bem maiores do que os nossos. Além disso, existe um estigma no Sul de que uma empresa deve investir nos dois times (Grêmio e Inter), o que acaba sendo uma desculpa e reduz os custos deles, pois divide por dois. Por isso tivemos que usar a criatividade e criar alternativas para gerar receita. Para não ficarmos tão dependentes desse modelo o segredo é ter um quadro social forte, que paga em dia e não nos deixa reféns das cotas de televisão e patrocínio. Para isso dar certo, você precisa de um estádio próprio, com capacidade e condições, coisa que os clubes do Rio não possuem, o Corinthians também não, por exemplo. Esse é o ponto de partida. O segundo passo foi ativar esse relacionamento, com sorteios, com privilégios, trazendo ele para dentro do clube. Existe reclamação dos não-sócios? Sempre, mas pouca. E o futebol mudou, os torcedores já entenderam que tem que se programar, comprar com antecedência.
A recompensa
Esperamos chegar a 100 mil sócios até o fim do ano, mesmo com esses fatores da economia atual. Para ter uma idéia, multiplique o número de sócios pelo ticket médio de R$ 34,50 por mês (R$2.760.000,00). E depois por doze meses (R$ 33.120.000,00). Hoje a receita com os associados já e a segunda mais importante no orçamento do clube, atrás apenas das cotas de televisão (não contabilizando as transferências de atletas). O Internacional é o único a ter recebido o certificado ISO 9001 por atender as legislações do Estatuto do Torcedor. Dos 20 clubes que disputaram a Série A no ano passado, só não recebemos a visita do nosso rival, todos os outros vieram conversar e entender sobre esse nosso programa.