Durante o evento de lançamento da sexta edição do Footecon, fórum internacional de futebol que ocorrerá nos dias 8 e 9 dezembro no Rio de Janeiro, Júlio Mariz, CEO da Traffic, que é uma das organizadoras, falou também sobre a cobertura que a mídia dá ao futebol atualmente, a economia do futebol e a falta de profissionais especializados.
Para Mariz, os clubes e os negócios que realizam deveriam estar mais presentes nos cadernos de economia, listas de melhores empresas. E mais: mudar os contratos de transmissão, exigindo, por exemplo, que a final seja transmitida para todas as praças, evitando o que aconteceu ontem, quando vários estados não acompanharam o jogo entre Cruzeiro e Estudiantes - clausula que já existe, por exemplo, nos contratos da Uefa e da Fifa.
Veja alguns dos principais trechos da entrevista.
Os negócios do futebol
“Até a Copa do Mundo de 2014, o futebol vai movimentar mais de US$ 200 bilhões em negócios no Brasil. Atualmente a cobertura está restrita aos cadernos de esporte, quem ganhou, perdeu, tomou cartão, árbitro, técnico… o futebol precisa estar presente também nos cadernos de economia dos grandes veículos, essa indústria precisa estar em debate.”
O volume das receitas
“Estava na Argentina até ontem e lá soube que o Boca Juniors, que é tido como um grande exemplo, tem um receita de US$ 20 milhões, o que corresponde, se não me engano, a um terço da receita do São Paulo. Então estamos falando de empresas que movimentam muito dinheiro. E nunca vimos nenhum clube brasileiro nesses ranking de maiores empresas que são divulgados, nem existe o capítulo futebol. Talvez pelo fato de não serem S/A, mas o assunto “economia do futebol” precisa ser melhor explorado.”
A falta de profissionais
Muitos clientes nossos e também nós, da Traffic, temos enorme dificuldade em encontrar profissionais da área de negócios do futebol. Precisamos melhorar a formação desses profissionais, existem oportunidades a serem exploradas.
A Copa de 2014
“Insisto, o futebol é algo muito maior do que a gente imagina e tenho certeza que até 2014 ele vai crescer de uma maneira que nem fazemos idéia. Será uma transformação, não só em termos econômicos, como também comportamental. A Copa trará para o Brasil um ineditismo de negócios, isso precisa ser incentivado. Imagina o que vai gerar de negócios e empregos a construção dos estádios. Por isso a nossa presença também em eventos como a Footecon.”
A cobertura da mídia esportiva
“Precisamos fazer um debate, é oportuno. A mídia precisa expor o ponto de vista dela, para entendermos e crescermos juntos. Atualmente, em alguns casos, os nomes dos patrocinadores não são citados, ou são escondidos. Lógico que tudo isso depende muito da qualidade do produto, pois se o produto é bom e tem demanda, então na negociação você faz o preço, escolhe como deve ser entregue. Na Copa do Mundo, por exemplo, a Fifa é implacável: precisa seguir as regras de marketing e exposição.”
Os contratos de transmissão de televisão
“Ontem tivemos o outro lado, com a final da Libertadores não sendo transmitida para São Paulo, por questões mercadológicas. Mas será que um jogo de final de Libertadores que não tenha o time da cidade não interessa? Eu acho que interessa. Mas a Globo tem suas razões. Caberia a Conmebol colocar isso em contrato. Quando a Traffic negocia a Copa América, ela exige que a final seja transmitida, mesmo que não tenha o Brasil. Entendo que tenham partidas que não chamam tanto a atenção, mas até essas podem ser bem promovidas.”
A exposição das marcas
“Existe uma linha muito tênue aí e volto a dizer: é uma questão da negociação. Os clubes poderiam exigir em contrato, por exemplo, que após as partidas as coletivas dos técnicos e jogadores apareçam nas transmissões, com o backdrop aparecendo, etc. A emissora, por sua vez, pode responder: tudo bem, só que ao invés de pagar 200 eu pago 150 e você pega essa propriedade de 50 e tenta transformar em 100. Mas as empresas também têm que acreditar mais, tem que ficar mais tempo, não fazer contratos de apenas um ano.”