Terra Magazine

outubro 15, 2009

Drops: Liverpool, futebol escocês, Londres 2012, Rio 2016 e Rússia 2018

Príncipe Saudita de olho no Liverpool
Está muito próxima de acontecer a negociação entre os empresários norte-americanos e atuais donos do Liverpool, Tom Hicks e George Gillet, e o príncipe saudita Faisal al-Saud. Gillet está em Riad para acertar os detalhes do acordo, que pode envolver apenas parte ou o até mesmo o total das ações que os empresários detém (50% do clube). Há tempos que Hicks e Gillet buscam algum comprador interessado, chegaram até a contratar grandes empresas de investimento dos EUA para ajudar no negócio.

Novos campos, novos mercados
Celtic e Rangers continuam firmes com a intenção de disputar outros campeonatos e sair de vez do fraco campeonato escocês. Os eternos rivais concordam que precisam buscar novos mercados para crescerem e gostariam de disputar a Premier League inglesa, porém, novas opções estão surgindo, como os campeonatos belga e holandês. O presidente da Federação Holandesa de Futebol e membro do Comitê Executivo da Uefa, Michael van Praag, declarou que é a favor dessa mudança e vai fazer um forte lobby para que a Uefa aceite a proposta. “Podemos começar a discutir esse assunto, essa é a hora.”

Londres 2012 desiste de construir arena milionária
Os organizadores das Olimpíadas de Londres 2012 estão voltando ao planeta Terra. Revendo os gastos feitos até agora e também ainda com medo da crise econômica, o comitê (que anda em crise profunda e totalmente rachado) desistiu de construir uma nova arena em Greenwich, avaliada em 42 milhões de libras e onde seriam as disputas de ginástica artística e badminton, que agora ocorreão em Wembley.

Candidatura de Madrid custou cerca de 40 milhões de euros
Ficou cara a conta para os bolsos de Madrid. A candidatura para as Olimpíadas de 2016 custou cerca de 40 milhões de euros, segundo o prefeito da cidade Alberto Ruiz Gallardon. Os trabalhos começaram em 2006 e, desse montante, 17 milhões vieram dos cofres públicos, com a iniciativa privada bancando o resto. Por aqui, sabemos que a campanha vencedora Rio 2016 chegou na casa dos R$ 200 milhões, porém, nada foi divulgado sobre quem pagou o que até agora.

Vitória do Rio empolga os russos
A inesperada escolha do COI está causando um movimento diferente no mundo dos esportes. Países que antes se sentiam excluídos agora acreditam que também podem entrar no mapara dos grandes eventos. Essa é a esperança da Rússia, que pretende sediar a Copa do Mundo de 2018 ou 2022. Segundo o Ministro dos Esportes russo, Vitaly Mutko “essa é uma oportunidade única para a Fifa conquistar os mercados europeu e asiático, dois continentes de uma só vez. Eles precisam dar chances para diferentes países realizarem esses eventos, assim como o COI fez com o Rio e a Fifa com a África do Sul.”

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outubro 13, 2009

“As Olimpíadas podem mudar uma geração”, diz o especialista Ed Hula, do Around The Rings

Tags:, , , - fabiokadow às 8:58 am

O site Around The Rings é um dos mais respeitados do mundo quando o assunto é Olimpíadas, tanto a de verão como a de inverno. Trata-se de um portal norte-americano especializado na análise de candidaturas e realização dos Jogos, de acordo com critérios matemáticos criados pela sua equipe e que dá notas de 1 a 10 para onze quesitos distintos, como acomodação, segurança, finanças, marketing, apoio governamental, entre outros. Desde 1992, o Around the Rings faz o acompanhamento dos negócios que envolvem as Olimpíadas.

Durante todo o processo pela disputa para sediar os Jogos de 2016, o Rio de Janeiro só passou a liderar esse ranking há poucos dias da escolha final. E, assim como já havia ocorrido com Pequim, o Around the Rings acertou de novo. Em entrevista exclusiva para o blog Jogo de Negócios, o editor e fundador do site Ed Hula, que continua na Dinamarca e deu a sua opinião sobre a escolha, afimou que as Olimpíadas podem mudar uma geração toda e falou sobre a importância de se criar uma política esportiva no país.

O que foi fundamental para a vitória do Rio de Janeiro?
Três fatores foram fundamentais. O primeiro, sem dúvida nenhuma, o fato de ser a primeira vez que a América do Sul vai receber as Olimpíadas. Esse ineditismo fez com que essa escolha ganhasse muita força na reta final. Por isso entrou para a história e causou toda a emoção que vimos. O Rio de Janeiro é uma cidade linda, conhecida no mundo todo, simpática, divertida e finalmente mostrou que pode ser capaz de realizar os Jogos. Ela tem características bem diferentes de Tóquio, Madrid e Chicago e, nesse caso, isso foi positivo. O segundo fator foi o entusiasmo do Comitê Organizador brasileiro. Ao contrário das outras candidaturas, todos os responsáveis da equipe sempre foram muito amigáveis, demonstraram energia e vontade de vencer. Acredito que o Rio de Janeiro aprendeu muito com as derrotas anteriores e, por isso, podemos dizer que realizou um trabalho de longo prazo. Por fim, o apoio governamental demonstrado também foi importante. O entusiasmo e a emoção do presidente Lula, o discurso do governador Sergio Cabral e também do prefeito Eduardo Paes, que teve um inglês melhor até do que o prefeito de Chicago. Esse suporte foi fundamental para demonstrar que os Jogos teriam as garantias necessárias do governo.

No Brasil muitas pessoas estão receosas sobre como o dinheiro público será investido, já que os exemplos deixados após os Jogos Panamericanos são terríveis (superfaturamento, instalações abandonadas, etc), apesar do relativo sucesso na parte esportiva. Como um evento como esse pode ajudar uma cidade ou um país?
A organização do Pan foi muito bem. É verdade que Vila Olímpica criada para o Pan está abandonada?

Sim, também não foram entregues outras obras públicas prometidas e o dinheiro gasto ultrapassou em dez vezes o valor inicial proposto.
(silêncio) Isso vai depender de quanto e como o governo e o comitê organizador vai gastar o orçamento, o que será feito, quais os setores que serão estimulados, as ofertas. É fato que o Rio será completamente transformado com as mudanças que serão realizadas para os Jogos, em todas as cidades o impacto é muito grande. Ela pode, se bem planejada e com responsabilidade, ajudar a diminuir a pobreza, gerar empregos para as novas gerações, reconstruir áreas. Mas tem uma coisa que pouco depende do dinheiro e é um dos melhores legados que as Olimpíadas podem fazer: mudar as pessoas. Ela tem o poder de transformar a população, trazer esperança para toda uma geração, é um estímulo para fazer mudanças necessárias e ficar com um sentimento de dever cumprido por ter feito uma cidade melhor, um país melhor. E nesse caso o Rio será privilegiado, pois esse sentimento já existirá para a Copa do Mundo de 2014 e não acabará no dia da grande final do futebol. As pessoas vão continuar trabalhando porque dois anos depois terão outro grande evento. É uma oportunidade única.

Quais os exemplos positivos e negativos até agora?
Barcelona (Espanha) é sempre um exemplo. Em Sidney, Austrália, também foi realizado um bom trabalho, onde todo o Parque Olímpico é muito utilizado até hoje e é mais do que uma arena esportiva, tem eventos de artes e outras áreas. Em Pequim (China) todas as instalações viraram pontos turísticos e são visitados por milhares de pessoas todos os dias. Além disso, foi criada uma agência para cuidar dos legados olímpicos, como as arenas, que são muito utilizadas pelas universidades, por exemplo. O mau exemplo fica com Atenas (Grécia) , onde foi gasto muito dinheiro e o que foi feito ninguém usa.

A falta de uma política esportiva também preocupa?
Para que os Jogos tenham sucesso, as equipes locais precisam ter um bom desempenho nas competições, a população precisa estar empolgada com a parte esportiva também. O presidente do COB, Carlos Nuzman, vai precisar se preocupar, e muito, com isso. Precisa ser feito um trabalho de treinamento. Não adianta nada pensar só no futebol. Existem diversas modalidades, do handebol ao tênis de mesa, onde as equipes locais precisam fazer um bom papel. Caso contrário as disputas ficarão esvaziadas, o interesse não existirá por parte das pessoas, da mídia, o que é muito ruim para o sucesso dos Jogos.

Receber a Copa do Mundo dois anos antes ajuda? De que forma?
O Rio vai precisar mudar muita coisa para a Copa de 2014 que posteriormente será aproveitada para as Olimpíadas, principalmente na questão de infraestutura, como aeroporto, transporte e até estádios, já que o Maracanã será o local da final da Copa e depois da abertura dos Jogos. A Fifa também tem exigências rigorosas. Além disso, essa experiência será muito positiva, um excelente exercício para que se corrija possíveis erros.

foto: Ed Hula com Tony Blair, entrevistando o então primeiro-ministro britânico sobre os Jogos Olímpicos de 2012 (Reprodução do site)

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outubro 9, 2009

Confirmados para 2016, golfe e rugby querem lucrar com a exposição

Tags:, , , , - fabiokadow às 4:26 pm

Hoje o COI confirmou as duas novas modalidades que passarão a fazer parte dos Jogos Olímpicos a partir de 2016, quando serão realizados no Rio de Janeiro. Foram escolhidos o golfe e o rugby-7, esportes onde o Brasil tem pouquíssima (ou nenhuma) representatividade e tradição - vale lembrar que, por ser o país sede, o Brasil já está classificado em todas as modalidades.

Na parte estrutural, nenhum problema, segundo Carlos Arthur Nuzman. “O Rio de Janeiro está preparado para receber os dois esportes. O rúgbi será disputado no Estádio de São Januário e a escolha já foi aprovada pela Federação Internacional de Rúgbi. O golfe poderá ser realizado no Gávea Golfe Clube ou no Itanhangá Golfe Clube. Esta definição caberá à Federação Internacional de Golfe”, explicou em nota oficial.

Bom para os representantes internacionais desses dois esportes, que estão comemorando e muito. Fazer parte das Olimpíadas significam novos negócios, popularização, visibilidade, valores mais altos nos contratos e oportunidades. Para se ter uma idéia, até o ídolo Tiger Woods, o atleta mais rico do mundo, fez lobby pessoalmente para que o golfe entrasse para o rol dos Jogos, dizendo que esse é o único torneio que lhe falta e que uma medalha olímpica não tem preço. Será que ele continua até lá?

Especialistas acreditam que as cotas de patrocínio do rugby-7 (uma versão “menor e mais rápida” da modalidade) vão dobrar nos próximos anos depois do anúncio. É de olho no dinheiro da televisão e dos patrocinadores que todas federações estão de olho.

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outubro 5, 2009

Presidente do COI diz que escolha do Rio mostra que “não é só dinheiro”

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Depois da supreendente vitória do Rio de Janeiro na última sexta-feira, o presidente do COI Jacques Rogge declarou que o resultado comprova que o dinheiro não é mais um fator fundamental no processo de escolha das sedes dos Jogos Olímpicos. Segundo ele, se apenas o dinheiro importasse, Chicago teria vencido a disputa.

Rogge espera que com a escolha do Rio, a primeira cidade da América do Sul a receber os Jogos, as críticas que o COI sempre recebeu por “apenas visar o lucro” diminuam, já que, para o dirigente, a receita seria muito maior nas outras cidades que estavam na disputa.

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outubro 2, 2009

Brasil: a bola da vez no mundo dos negócios do esporte

Tags:, , , - fabiokadow às 3:44 pm

Se puder eleger dois fatores que foram fundamentais na escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas 2016, escolho o ineditismo (pelo fato do continente Sul Americano nunca ter recebido tal evento) e também as perspectivas de crescimento econômico que o Brasil tem demonstrado, conquistando a confiança até dos desconfiados especialistas estrangeiros.

Com a garantia da realização dos dois maiores eventos do gênero nos próximos anos, não tem como negar que o País é a bola da vez no mundo dos negócios esportivos. Sendo assim o País passa a ter duas grandes oportunidades para fazer o correto, sem erros (estou falando de todos) como os que ocorreram no Pan-Americano, para fomentar o esporte e a economia como um todo, para deixar legados reais e justos para a sociedade, para criar uma política esportiva num País onde os vencedores são exceções, pelos mais diversos motivos, mas principalmente porque não recebem apoio algum do governo na imensa maioria das vezes.

Que essa seja a oportunidade de rever o papel e os papelões das confederações (inclusive a CBF, claro), ou alguém aqui sabe exatamente o que elas fazem em prol dos atletas e torneios? Por sinal, que o sistema de votação para dirigentes das confederações mude, abrindo espaços para profissionais do ramo (nunca no Brasil tivemos tantos cursos de administração e marketing esportivo, de graduação, extensão e pós-graduação) e ex-atletas com vocação.

Que a imprensa esportiva também se modernize e se livre de vez das pechas que a perseguem, deixando de tratar todos os esportes como futebol, analisando não só os resultados, fiscalizando, informando e, principalmente, respeitando os atletas que, por muitas vezes, são jogados ao limbo por um mau resultado (algo como ficar entre os 10 melhores do mundo). Dizem que não valorizamos nossos ídolos, mas quando e onde começa essa desvalorização?

No (delicado) capítulo infraestrutura é claro que o Brasil vai ter a chance de construir grandes centros esportivos, arenas modernas, reformar o entorno desses lugares, melhorando o saneamento, transporte público, segurança, etc, de todas as cidades envolvidas na Copa e nas Olimpíadas. Mas isso também pode ser o começo do maior desperdício de dinheiro público de toda a nossa história. O resto você já sabe.

As maiores empresas do mundo do esporte estarão por aqui nesse período. Investindo milhões de dólares em marketing, trazendo os melhores profissionais para o mercado local, realizando ações nunca antes vistas no Brasil.

São dois caminhos bem distintos para escolher e a sociedade tem papel fundamental nesse processo. Faça a sua parte, entenda que, mais do que a festa e o orgulho (que são justos), eventos dessa magnitude são fundamentais para o futuro do país.

Nas duas campanhas, o discurso foi “o Brasil merece esse voto de confiança, precisamos de uma chance”. Pronto, o Brasil é a bola da vez no mundo dos negócios do esporte. Que essa oportunidade não seja desperdiçada.

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março 6, 2009

Revistas de turismo elegem Tóquio para 2016

Tags:, , , - fabiokadow às 5:28 pm

Uma das principais bandeiras da campanha do Rio de Janiero para ganhar a disputa e sediar as Olimpíadas de 2016 é a sua beleza natural aliada ao forte apelo turístico. Porém, não é o que pensa a revista britânica Wanderlust, especializada no tema, e que elegeu Tóquio como o melhor destino.

Para a publicação, a cidade japonesa oferece 80 mil hotéis com “inacreditáveis níveis de serviço e conforto”, todos localizados num raio de 8 kms de onde poderá ser o Estádio Olímpico. Em 2008, a cidade já havia sido eleita como uma das melhores do mundo em qualidade de vida pela revista Monocle, também famosa na Europa. Outra publicação que se rendeu à Tóquio foi o o renomado guia Michelin, que a definiu como a melhor no assunto culinária.

Os organizadores acreditam que a proposta japonesa se diferencia por ser a “mais sustentável e compacta, o que vai gerar ainda mais segurança e  um transporte público eficiente, que pode transportar até 24 milhões de pessoas por dia.”

O COB deve estar torcendo para que os dirigentes do Comitê Olimpico Internacional, que vão escolher a sede em outubro, não leiam essas matérias…

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janeiro 12, 2009

Brunoro: a Copa é mais importante do que as Olimpíadas para o Brasil

José Carlos Brunoro é referência quando o assunto é gestão e marketing esportivo. Técnico consagrado de vôlei, sua carreira nessa área despontou com a gerência da co-gestão Palmeiras e Parmalat, ainda na década de 90. Desde então, vem realizando diversos projetos importantes nas áreas públicas e privada, onde atualmente é  diretor de esportes do Pão de Açucar e presta consultoria para clientes como a Red Bull e o Instituto Wanderley Luxemburgo. Na área acadêmica, criou um dos mais respeitados cursos ministrado pelo Instituto Trevisan. O blog Jogo de Negócios conversou com Brunoro sobre a política do governo no esporte, Olimpíadas no Rio, Copa de 2014 e a atuação dos empresários no futebol.

Por que você saiu do Conselho Nacional de Esportes?
Eu ainda não saí. Pelo menos não informei nada oficialmente, mas estou para conversar com o mInistro Orlando Silva.

Como avalia o trabalho realizado lá?
Na verdade eu entrei para organizar o projeto da Timemania, foi criado um departamento de marketing e gestão de clubes para isso.  E esse foi o meu comprometimento com o governo. O projeto foi entregue, está feito e depois o governo tocou a parte política. Após esse trabalho eu fiquei no Conselho, mas sem muita atuação.

O governo tem liberado muita verba pública, até sem licitação, para a campanha da Rio-2016. O que você acha dessa candidatura? Já estamos prontos para realizar esse evento?
O Brasil tem organização e de mão de obra para receber qualquer evento esportivo. Temos profissionais gabaritados e condições de fazer. Apenas acredito que estamos ultrapassando algumas situações. A primeira delas é que pensamos em fazer o evento, mas não em dar apoio ao atleta. Nós não temos preparação de atletas. Os trabalhos feitos pelas confederações, com algumas exceções, são muito fracos e não investimos em aparelhos ou treinamento. Não existe um projeto consistente para isso. Então, se tivemos esse empenho, na mesma proporção que temos para querer organizar as Olimpíadas, seria o ideal. Tivemos um alto custo, exagerado, para os Jogos Pan-Americanos, que não é uma competição tão importante e nem precisaria de tanto investimento de estrutura. A idéia, diziam, era que esse custo serviria de base para uma possível Olimpíada, mas com o tempo começam aparecer casos como da natação, onde os equipamentos não servem para competições olimpicas… fica claro que teve falha de planejamento e isso me preocupa. Então eu acho que o Brasil pode e deve partir para uma candidatura, mas quando também tiver um projeto para o atleta.

O mesmo pensamento vale para a Copa de 2014 ou é diferente? Quais as diferenças que você aponta entre um projeto e o outro?
Para o Brasil, é muito mais importante a Copa do Mundo de 2014 do que a Olimpíada. Primeiro porque algumas ações da Copa valem para o país inteiro. Provavelmente teremos 12 sedes, então serão 12 cidades com melhorias nos estádios, infra-estrutura, transportes… e até o futebol, que é um dos maiores empregadores do país, vai ser incentivado. O valor agregado para o Brasil, vai ser muito maior do que uma Olimpíada, onde poderemos ter melhorias em apenas uma cidade, com um monte de equipamentos que no futuro são mal utilizados. Até com relação aos gastos públicos eu acredito que na Copa serão bem menores do que nas Olimpíadas. A única vantagem de termos uma Olimpíada seria se conseguissemos desenvolver o esporte como um todo, com mais praticantes e formação de novos atletas. Mas mesmo assim, faríamos o que com esses atletas? Manda tudo para o Rio de Janeiro?

Atualmente você dirige um projeto de longo prazo na área do futebol para o Pão de Açucar e presta consultoria para a Red Bull. Porém, nessa Copa SP temos a participação de vários “times de empresários”, onde os atletas são objetos de negócios e já tem seus direitos presos a grupos de investidores, longe dos clubes. Qual a sua opinião sobre essa situação atual?
Quando eu vejo crescer esse cenário de gente colocando dinheiro para comprar jogadores, eu fico muito decepecionado com os clubes. Porque esse papel deveria estar totalmente cumprido pelos clubes, que deveriam ter suas categorias de base fortes, com caixa para fazer negócios. Então essas pessoas e empresas ocuparam um espaço que os clubes deixaram, por falta de um profissionalismo mais adequado na gestão. Assim criou-se uma oportunidade de mercado. E estão no mercado profissionais de alto nível, como no caso da Traffic e algumas outras, e também os picaretas, os aproveitadores. As pessoas falam da Traffic, mas eles estão preocupados em montar um time de base, com profissionais, estrutura, centros de treinamentos, enfim, com o conjunto da obra. Isso é bom para o futebol. Agora, aqueles que só vivem de comprar, vender, etc, nesse caso é opotunismo, que, repito, só acontece por causa da omissão dos clubes, que deixaram isso acontecer. Que os clubes possam tirar lições disso tudo.

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dezembro 23, 2008

Sim, Chicago pode

Tags:, , , , , - fabiokadow às 2:53 pm

Chicago, ao lado de Madri, Tóquio e Rio de Janeiro, é uma das cidades finalistas na disputa para sediar as Olimpíadas de 2016. Como já sabemos, até a data de escolha, que será em outubro do ano que vem, cada comitê tenta demonstrar quem tem mais capacidade de organizar os Jogos, ressaltando diversos aspectos e características. Saindo na frente, a cidade norte-americana, berço político de Barack Obama, divulgou um estudo, realizado pela empresa especializada Tootelian & Associates, sobre o impacto econômico que o evento pode trazer para o estado de Illinois e Chicago.

Os resultados demonstram que, num período de 11 anos, entre 2011 e 2021, a economia do estado pode ter um incremento de US$ 22,5 bilhões, sendo US$ 13,7 bilhões desse montante só em Chicago. A questão desemprego também ganharia um bom alívio com a criação de 315 mil novas vagas de trabalho.

Saindo um pouco do campo da economia, a pesquisa mostra também que os Jogos podem influenciar na iniciação dos jovens da região, estimados em 66 milhões, no esporte. Outras áreas que devem se beneficiar são o turismo, desenvolvimento urbano, instituições educacionais e culturais.

Chicago é, sem dúvida, uma forte candidata. Por já ter boa parte da infra-estrutura montada (investimentos no aeroporto e no trânsito foram feitos nos últimos anos) e também por demonstrar um bom planejamento, como esse estudo mostra. O ponto contra, sem dúvida, pode ser a grave crise econômica, que influenciaria na escolha dos comissários do Comitê Olímpico Internacional. Resta saber como estará o cenário daqui a 10 meses.

Ficamos no aguardo de um estudo semelhante para o Rio de Janeiro, que tem no currículo até agora apenas o superfaturado Pan-Americano, obras não entregues, elefantes-brancos, contratações sem licitações e o gasto excessivo do dinheiro público. O Rio pode?

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dezembro 17, 2008

Rio 2016: torneira aberta

Tags:, , , - fabiokadow às 4:34 pm

Enquanto o COB entregava o Prêmio Brasil Olímpico, com pompa e justiça, para diversos atletas ontem no Rio de Janeiro, algum milhões a mais eram liberados pelo governo para o projeto de candidatura Rio 2016. Estima-se que serão investidos mais de 100 milhões nessa campanha, boa parte desse valor já foi gasto inclusive sem licitação e até com consultorias internacionais. Abaixo, você confere os últimos textos publicados no Diário Oficial, em que estão expostos os valores e os motivos para a liberação da verba. Tem até uma errata. Que, poucos dias depois, surgiu de novo… o blog não alterou nem uma vírgula.

Diário Oficial do dia 10 de dezembro de 2008

OBJETO: O presente Convênio tem por objeto a transferência de recursos financeiros para apoio operacional voltado ao custeio de despesas com serviços de tradução juramentada, envio de correspondência/encomenda, cartório, material de expediente, material de informática, hospedagens, passagens aéreas, diárias de viagens e transporte operacional para os Recursos Humanos contratados e responsáveispela elaboração, redação e montagem do Dossiê de Candidatura, bem como custear passagens aéreas, diárias de viagens e hospedagens para Consultores Internacionais e Nacionais, Colaboradores eventuais, Apoiadores da campanha brasileira e personalidades designadas como Embaixadores da Candidatura, para participarde eventos oficiais da Candidatura Rio 2016, visando a candidatura do Rio de Janeiro / Brasil em sediar as olimpíadas de 2016.

DESPESA: Os recursos decorrentes do presente Convênio são provenientes do Ministério do Esporte, Orçamento Geral da União, no valor de R$ 3.937.149,54 (Três milhões, novecentos e trinta e sete mil, cento e quarenta e nove reais e cinqüenta e quatro centavos),

RETIFICAÇÃO - Nº 241, quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
No Diário Oficial da União nº 240, de 10 de dezembro de 2008, na Seção 3, página 133, que publicou o EXTRATO DE CONVÊNIO Nº 700560/2008, onde se lê: R$ 3.937.149,54 (três milhões, novecentos e trinta e sete mil, cento e quarenta e nove reais e cinquenta e quatro centavos), leia-se: R$ 2.624.766,36 (Dois milhões, seiscentos e vinte e quatro mil, setecentos sessenta e seis reais, trinta e seis centavos).

Diário Oficial do dia 15 de dezembro de 2008


ESPÉCIE: Convênio que celebram entre si a União, por intermédio do Ministério do Esporte - CNPJ 02.961.362/0001-74 e o COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO - CNPJ 34.117.366/0001-67.

OBJETO: O presente Convênio tem por objeto a transferência de recursos financeiros para custear despesas de hospedagem, alimentação, passagens aéreas, transporte, marketing, seguros, material de premiação, produtora, mestre de cerimônia, serviço de apoio e serviço de comunicação, necessários para organização e realização do Prêmio Brasil Olímpico 2008, bem como promoção e divulgação para a Candidatura da cidade do Rio de Janeiro/RJ em sediar as Olimpíadas de 2016.

DESPESA: Os recursos decorrentes do presente Convênio são provenientes do Ministério do Esporte, Orçamento Geral da União, no valor de R$ 1.721.977,06 (um milhão, setecentos e vinte e um mil, novecentos e setenta e sete reais e seis centavos), no Programa de Trabalho 27.811.0181.2360.0001, Natureza de Despesa 33.50.41 e Fonte de Recursos 100, e R$ 62.650,00 (sessenta e dois mil, seiscentos e cinquenta reais), referente a contrapartida, perfazendo o total de R$ 1.784.627,06 (um milhão, setecentos e oitenta e quatro mil, seiscentos os e vinte e sete reais e seis centavos).

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novembro 26, 2008

Rio-2016 contrata consultoria estrangeira sem licitação

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rio2016.jpg

A obsessão de Arthur Nuzman por receber os Jogos Olímpicos no Brasil só cresce. Depois de três decepcionantes derrotas (2000, 2004 e 2012), quando a cidade não chegou nem entre as finalistas, o otimismo tomou conta do comitê organizador, que saiu em campanha pelo mundo afora.

No quesito gastos com relações públicas e marketing, a campanha da Rio 2016 não deixa nada a desejar às concorrentes Tóquio, Chicago e Madri. A diferença fica na quantidade de dinheiro público investido. O lobby elevou a cidade carioca à condição de favorita, segundo sites especializados, a vencer disputa que terminará em outubro de 2009.

Para se aproximar ainda mais da mídia internacional, dos formadores de opinião e dos membros do Comitê Olímpico Internacional, a Rio 2016 contratou os serviços de consultoria em negócios esportivos da Vero. A empresa inglesa tem um vasto portfólio de grandes campanhas para clientes como London 2012, Siemens, British Petroleum, Uefa, Virgin Atlantic, o time de futebol Liverpool, entre outros.

De acordo com release da própria Vero, durante um ano serão realizados serviços de comunicação para a mídia internacional, com direito a uma consultora sênior, Catherine St-Laurent, gerenciando o dia-a-dia das campanhas in loco, no Rio de Janeiro. Os valores do contrato não foram revelados.

Por aqui, nada foi divulgado. No mesmo dia, a assessoria do COB apenas exaltou que, durante a visita à Europa, foi fechado um acordo de intercâmbio com a Grã-Bretanha.
O Comitê Rio-2016 não é órgão público e, como tal, não precisaria de licitação para contratar serviços. Mas a questão é delicada, principalmente se houve (ou se vai haver) a utilização de recursos públicos na contratação dos serviços, o que implicaria numa licitação pública. Fora o desprestígio às empresas nacionais do setor.

Procurado pelo blog, o Comitê Organizador Rio-2016 - presidido também pelo chefe do COB, Arthur Nuzman - não se manifestou sobre a contratação da Vero. A assessoria de imprensa do órgão, que funciona dentro do COB, não sabia informar se o valor pago teria investimento público. No total, o governo brasileiro pretende injetar mais de R$ 100 milhões na Rio-2016.

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