Fora da F1, Honda já perdeu US$ 255 milhões em exposição na mídia
Quando a Honda, por causa da grave crise econômica, desistiu da Fórmula 1 e resolveu “vender” o espólio da equipe para o engenheiro Ross Brawn por simbólicos três reais, provavelmente não imaginava que essa escuderia iria se tornar a campeã da temporada de 2009 - a primeira na história da categoria a conseguir tal feito já no ano de estreia.
Para saber o quanto essa decisão influenciou na exposição da marca na mídia global, uma empresa inglesa fez uma análise em 18 países durante os 15 primeiros GPs (ou seja, ainda não contabilizada a decisiva prova de São Paulo, que confirmou o título da escuderia e do piloto Jenson Button e deve ter gerado números importantes de audiência). De acordo com o estudo realizado pela Margaux Matrix, a Brawn teve mais espaço na mídia do que a até tradicional Ferrari e três vezes mais do que a própria Honda teve no ano passado, quando o desempenho dos carros nas pistas foi muito fraco.
No olho do furacão da crise, o objetivo da Honda era economizar cerca de US$ 220 milhões, dinheiro gasto na temporada de 2008. Porém, o valor atingido em exposição na mídia até o fim de semana passado já superava a casa dos US$ 255 milhões. Mesmo assim o executivo da Honda, Takanobu Ito, declarou no começo desse mês que a empresa não se arrepende dessa decisão, tomada na época pelo seu antecessor Takeo Fukui. Segundo ele, esse dinheiro foi investido na pesquisa de combustíveis mais eficientes e na contratação de 400 engenheiros.
Mas vale lembrar que não foi só a Honda que não acreditou no potencial da Brawn. Durante algumas corridas os carros da equipe correram “limpos”, sem a presença de nenhuma logomarca. Exceção para o grupo Virgin, do executivo Richard Branson, que investiu cerca de US$ 5 milhões e já havia conseguido um retorno dez vezes maior do que isso até o mês passado. Feliz, Branson avisa: “Talvez a Honda esteja um pouco arrependida, mas ninguém tem bola de cristal.”