Brasil: a bola da vez no mundo dos negócios do esporte
Se puder eleger dois fatores que foram fundamentais na escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas 2016, escolho o ineditismo (pelo fato do continente Sul Americano nunca ter recebido tal evento) e também as perspectivas de crescimento econômico que o Brasil tem demonstrado, conquistando a confiança até dos desconfiados especialistas estrangeiros.
Com a garantia da realização dos dois maiores eventos do gênero nos próximos anos, não tem como negar que o País é a bola da vez no mundo dos negócios esportivos. Sendo assim o País passa a ter duas grandes oportunidades para fazer o correto, sem erros (estou falando de todos) como os que ocorreram no Pan-Americano, para fomentar o esporte e a economia como um todo, para deixar legados reais e justos para a sociedade, para criar uma política esportiva num País onde os vencedores são exceções, pelos mais diversos motivos, mas principalmente porque não recebem apoio algum do governo na imensa maioria das vezes.
Que essa seja a oportunidade de rever o papel e os papelões das confederações (inclusive a CBF, claro), ou alguém aqui sabe exatamente o que elas fazem em prol dos atletas e torneios? Por sinal, que o sistema de votação para dirigentes das confederações mude, abrindo espaços para profissionais do ramo (nunca no Brasil tivemos tantos cursos de administração e marketing esportivo, de graduação, extensão e pós-graduação) e ex-atletas com vocação.
Que a imprensa esportiva também se modernize e se livre de vez das pechas que a perseguem, deixando de tratar todos os esportes como futebol, analisando não só os resultados, fiscalizando, informando e, principalmente, respeitando os atletas que, por muitas vezes, são jogados ao limbo por um mau resultado (algo como ficar entre os 10 melhores do mundo). Dizem que não valorizamos nossos ídolos, mas quando e onde começa essa desvalorização?
No (delicado) capítulo infraestrutura é claro que o Brasil vai ter a chance de construir grandes centros esportivos, arenas modernas, reformar o entorno desses lugares, melhorando o saneamento, transporte público, segurança, etc, de todas as cidades envolvidas na Copa e nas Olimpíadas. Mas isso também pode ser o começo do maior desperdício de dinheiro público de toda a nossa história. O resto você já sabe.
As maiores empresas do mundo do esporte estarão por aqui nesse período. Investindo milhões de dólares em marketing, trazendo os melhores profissionais para o mercado local, realizando ações nunca antes vistas no Brasil.
São dois caminhos bem distintos para escolher e a sociedade tem papel fundamental nesse processo. Faça a sua parte, entenda que, mais do que a festa e o orgulho (que são justos), eventos dessa magnitude são fundamentais para o futuro do país.
Nas duas campanhas, o discurso foi “o Brasil merece esse voto de confiança, precisamos de uma chance”. Pronto, o Brasil é a bola da vez no mundo dos negócios do esporte. Que essa oportunidade não seja desperdiçada.


PARABÉNS BRASIL !! Muito merecido … Show de bola aquele clipe produzido pelo Fernando Meireles .. emocionou a todos !!
Comentário por Ricardo C. Figueiredo — outubro 2, 2009 @ 4:47 pm
Só se esqueceu de destacar quais legados o Pan deixou para a cidade e para os atletas. O Diego Hipólito, por exemplo, está desempregado… Verifique o custo benefício do PAN e vai descobrir que isso só é bom negócio para poucos… Vale ressaltar a sobreposição de efeitos que, pela redundância, não agregará nada de novo com as Olimpíadas acontecendo 2 anos depois da Copa. A Copa vai levar o estrageiro para todas as regiões do Brasil, além de atrair uma audiência maior. Já as olimpíadas durará 2 semanas numa só cidade gastando muito dinheiro. Dinheiro aliás de TODOS os brasileiros, PARA UM EVENTO LOCAL. Paciência, agora cabe ao próximo governante arrumar dinheiro para esse cheque pré-datado assinado pelo Lula e pago por nós pagadores de impostos suecos!
Comentário por Ronaldo — outubro 2, 2009 @ 4:50 pm
Sem dúvida este é um grande momento para o Brasil. Se aproveitar estes dois grandes eventos, fazendo um trabalho sério, investindo bem os recursos (do petróleo, entre outros), poderemos daqui a 10 ou 20 anos estar entre um grupo ainda mais elitizado da economia mundial e, quem sabe teremos um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
A festa da escolha dará lugar a um período de muito trabalho. Então vamos arregaçar as mangas.
Comentário por Ademir — outubro 2, 2009 @ 4:51 pm
Acho tudo isso muito bonito e empolgante para o país, é sempre bom vencer ou conquistar algo. Só é uma pena não poder comemorar da mesma forma na área da saúde, numa rua bm pavimentada, nas escolas públicas decadentes que infelizmente formam brasileiros despreparados para a realidade do mercado, realmente não vejo no que tanto comemorar diante do que vemos todo dia no noticiário.
Comentário por RC — outubro 2, 2009 @ 4:59 pm
Caro Fábio, concondo com cada palavra do seu texto.
Parabéns.
E que na Copa e nas Olimpíadas as oportunidades não sejam desperdiçadas.
Valeu Brasil.
Comentário por Marcelo Moraes C. de Oliveira — outubro 2, 2009 @ 5:07 pm
Concordo plenamente ao inves de não querer os jogos,vamos incentivar e como cidadãos vamos cobrar e fiscalizar!
Comentário por carlos — outubro 2, 2009 @ 5:09 pm
Olá Fabio,
Sou atleta brasileiro, pratico o Badminton e vivo na Dinamarca pois como escreve acima, não recebo nenhum tipo de ajuda governamental ou até mesmo da minha federação.
Hje assisti pela Tv o que passava a poucos quilometros daqui (se comparado ao Brasil) e em Copenhagem vi o Brasil ser eleito vencedor na disputa pelas Olimpiadas de 2016. Nao pude conter minhas lagrimas, fiquei extremamente feliz com a escolha e só rezo a Deus que o país realmente mude seus principios.
Futebol é o esporte mais jogado, é a paixão nacional, mas não pode ser o UNICO assunto discutido e abordado diariamente por nossa midia. Vejo companheiros de esporte sendo campeões em torneios Internacionais na America do Sul, e nem uma noticia sobre isso.
Ligo minha Tv e vejo Diego Hipolito chorando e dizendo estar sem patrocinio e dinheiro para continuar seu treinamento. Meses depois um dos maiores times de Volei feminino da Historia brasileira: O Finasa-Osasco se desmancha por não ter condições de pagar os salarios.
Se… Campeões Mundiais e atletas da seleção Brasileira de volei são tratados assim, que dirá o resto. Me encaixo no resto e posso por experiencia própria dizer que: quanto a nós… meros atletas desconhecidos, nos cabe sair do Pais em busca de melhores condições de treinamento e vida.
Espero que com essas Olimpiadas nosso panorama mude. Nem que seja um pouco, onde Campeões Mundiais não precisam passar por apertos como os que vemos no dia a dia.
Um abraço de um atleta desconhecido à sociedade porém esperançoso de que um dia seu esporte seja valorizado.
Filipe Toledo
Comentário por Filipe Toledo — outubro 2, 2009 @ 5:11 pm
Mais importante do que ir atras de recursos, isso o Brasil ja tem, é fiscalizar o dinheiro aplicado, investindo com eficiencia e sem desperdicio, o que no Brasil parece ser impossivel, vamos torcer pra que o roubo seja pouco, porque imaginar que tudo vai ser uma mar de transparencia é a mesma coisa que acreditar em politico honesto.
Comentário por rafael c santos — outubro 2, 2009 @ 5:18 pm
Para mim tanto a olimpiada quanto a copa são desnecessários para o pobre brasil. Para um pais com japão, espanha, eua, que ja tem todas as suas necessidades mais basicas, e essenciais, supridas, não vejo nenhum problema, agora para um pais que sofre cronicamente com excesso-falta de estado acho um gasto, mais um, totalmente inutil e perigoso.
O brasil esta crescendo internacionalmente, não há como negar. Acredito que cabe ao povo decidir que tipo de pais queremos, um pais serio que faz o dever de casa e depois pensa em festa, ou um pais que mais uma vez faz festa sem ter nem onde morar. Acho que o povo já escolheu. Que venha o carnaval, as empreiteiras e os politicos agradecem.
Comentário por Davi — outubro 3, 2009 @ 8:37 am
O Rio de Janeiro será, em 2016, o centro do mundo. Todos os olhos estarão voltados para a Cidade Maravilhosa. A cidade terá muito a ganhar com a realização dos jogos olímpicos: em termos de infra-estrutura (obras superfaturadas à parte…), propaganda, auto-estima, etc.
O Rio pretende, também, ser a principal sede da Copa-2014, local de jogos do Brasil e da grande final do torneio.
E São Paulo?
A maior e mais importante cidade brasileira patina com a esdrúxula candidatura Morumbi, que inviabiliza qualquer aspiração a receber a final da Copa, e que recebeu o sinal vermelho da FIFA para, sequer, pleitear a abertura ou a realização de jogos semifinais em 2014.
Inexplicável a insistência da prefeitura paulistana e do comitê organizador local com o Morumbi.
São Paulo não pode ficar à mercê de idiossincrasias clubísticas que resultem em prejuízo tanto para o futuro da cidade quanto para a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil como um todo.
É chegada a hora da maior e mais importante cidade brasileira acertar o passo com o Brasil que se afirma como potência emergente no novo cenário global: integrante do BRIC, crescimento consolidado, economia estabilizada, aspirante a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.
São Paulo tem que desempenhar, em 2014, um papel condizente com a sua relevância. Para tanto, é imprescindível que se defina a construção da nova arena que todas as pessoas de bom senso esperam, que esteja à altura da grandeza de São Paulo e da magnitude de uma copa do mundo.
Morumbi, não!
Comentário por Carlos Alberto — outubro 3, 2009 @ 1:03 pm