O escândalo e o momento delicado da Renault
Ontem, o comentarista de automobilismo da Rede Globo, Reginaldo Leme, deu um “furo” jornalístico que repercutiu no mundo todo. Durante a própria transmissão, ficou claro o espanto de todos quando Leme deu a notícia que a equipe Renault está sendo investigada por ter obrigado o piloto Nelsinho Piquet a provocar um acidente durante o GP de Cingapura do ano passado para, assim, garantir a vitória do espanhol Fernando Alonso, companheiro de Piquet na Renault. Segundo a denúncia, até o ponto do acidente teria sido determinado, um local onde certamente ocorreria a bandeira amarela e, consequentemente, a entrada do safety car.
A ordem teria partido do polêmico Flavio Briatore, chefe da equipe e dono de um currículo repleto de escândalos, que agora corre o risco de ser banido do esporte, caso a suspeita se confirme.
Era só o que faltava para a Renault no Brasil, uma das principais patrocinadoras das transmissões da TV Globo, graças aos R$ 53 milhões pagos antes da temporada. O ano parecia ser perfeito: piloto brasileiro (Nelsinho Piquet) confirmado para a segunda temporada (da qual se esperava bem mais) e o espanhol Fernando Alonso voltando a conseguir bons resultados.
Mas ninguém poderia prever o “fator Briatore”. Primeiro foi a demissão, depois de muita briga e ofensas, de Nelsinho Piquet, que vinha estrelando uma campanha promocional da montadora no Brasil. Os filmes (assim como o hotsite) que convidam os consumidores a participarem da promoção que vai levar um fã para dar uma volta num carro de F1 na França continuam no ar, mas já sem a presença do piloto, como vocês já devem ter reparado.
Agora surge esse escândalo, que já vem sendo chamado como o “pior da história da F1″, como o próprio apresentador do Fantástico, Tadeu Schmidt, disse ao apresentar a matéria, poucos segundos depois da marca Renault ter sido veiculada no intervalo como uma das patrocinadoras da F1. Quais as consequências desses fatos para o marketing e os negócios da empresa? Com relação ao marketing, sem dúvida nenhuma, o momento é super delicado.
Se uma empresa decide investir milhões no patrocínio da mais famosa categoria de automobilismo do mundo é porque quer associar sua marca aos valores desse esporte, certo? Com o barulho da mídia, esses milhões de reais podem ter ido por água abaixo, deixando ainda a marca arranhada. Nos negócios, acredito que, por enquanto, pouco (ou nada) deve ser afetado, já que apenas os mais fanáticos levariam isso como fator fundamental para a compra de um carro.
foto: Getty Images









