
A notícia da cisão entre as equipes (Fota) de F1 e a FIA, responsável pela organização e comercialização de tudo, caiu como uma bomba no mundo do esporte. Embora ensaiada há alguns meses, a separação, que agora parece ser definitiva, causa espanto e medo principalmente nos investidores e patrocinadores daquela que, até agora, é considerada a mais importante categoria do automobilismo mundial.
Max Mosley e Bernie Ecclestone transformaram a F1 no maior negócio do mundo do esporte. Cada uma das 17 etapas consegue movimentar milhões de dólares, como se estivéssemos realizando uma final de Champions League a cada 15 dias. Porém, isso também causou um disparo nos orçamentos das equipes, chegando na casa dos US$ 300 milhões de ano, por exemplo (número divulgado pela Honda quando a mesma anunciou a sua retirada por causa da crise econômica mundial).
Veio a crise e a FIA resolveu agir. Ironicamente, quer reduzir os custos da categoria. Por isso sugeriu um limite de US$ 75 milhões no orçamento da temporada para cada escuderia, o que causou uma revolta, e agora a ruptura, entre as principais participantes. Agora Ferrari, Renault, McLaren, Red Bull, Toro Rosso, Brawn, Toyota e BMW anunciam a saída e a criação de uma nova categoria para o ano que vem. E prometem dar o troco: ao invés de limitar orçamentos das equipes, que tal diminuir os exorbitantes lucros e os valores dos contratos de televisão, promoção, taxas, etc.?
E como fica a F1 sem as suas oito maiores equipes?
Vamos começar pelos contratos de direitos de televisão. Estima-se que a TV Globo, por exemplo, paga US$ 18 milhões para a FOM*. A emissora já deve ter acionado o seu departamento jurídico para estudar um possível rompimento de contrato, já que o produto que comprou não será mais o mesmo sem seus principais astros. E mais. Como já vimos, a Fota diz que pretende cobrar menos.
Nos últimos anos vimos diversos circuitos tradicionais saírem do calendário da F1 por causa dos altos custos que a FIA cobra para se promover e organizar a prova, estimados entre US$ 25 milhões e US$ 35 milhões. A Fota vai se reaproximar desses lugares, com novas e mais vantajosas propostas e, provavelmente, Interlagos, que tem contrato até 2014 por exemplo, vai querer estar presente nesse novo campeonato. E dá-lhe departamento jurídico estudando rompimento de contratos milionários.
E tem também os patrocinadores, que investem fortunas…
Amanhã a FIA promete anunciar a lista com as escuderias para 2010, com novas equipes, que se juntariam a Williams e Force India. Porém, três interessadas já desistiram apenas nas últimas horas depois do ocorrido: Lola, N. Technology e Prodrive.
De um lado, Bernnie Ecclestone, que detém os direitos comerciais da categoria, bate de ombros. “Eu não me preocupo, a Fómula1 existe há 60 anos e vai continuar. Durante esse período tivemos 73 equipes diferentes, então não vejo o que vai mudar agora.”
Do outro, a Fota com sua ameaça, agora mais forte do que nunca, de abandono e criação de um novo campeonato. No meio, Max Mosley, presidente da FIA e que agora precisa se decidir para qual lado vai nessa briga: peita seu diretor comercial, responsável por todo o orçamento e faturamento, ou as equipes e pilotos, responsáveis pelo show?
Foto: AP
*corrigido as 12:08 hs