Logo mais, ao meio-dia, o Palmeiras vai apresentar no Palestra Itália o seu novo patrocinador, a empresa sul-coreana Samsung, que no passado também já esteve no rival Corinthians. Pelo novo contrato, o Verdão vai receber R$ 15 milhões por ano e mais bonificações por títulos. Um valor muito acima dos R$ 6 milhões anuais que recebia da Pirelli até o fim de 2007. O blog entrevistou o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, atual Diretor de Planejamento e candidato a presidência do Palmeiras, que revelou como conseguiu, em dois anos, mais que dobrar os valores dos contratos de patrocínio do time, o projeto da arena, a parceria com a Traffic e também quais são os seus planos, caso seja eleito.
Esse novo contrato com a Samsung é a sua última conquista como Diretor de Planejamento ou a primeira como presidente?
O último como diretor, pois não me considero presidente ainda. Eu tinha colocado como objetivo fechar o meu trabalho no Planejamento com uma nova parceria para o futebol. A arena também é outra questão central. E acima de tudo valorizar a marca do clube. Em três anos o Palmeiras saltou de um patrocínio de R$ 6 milões, que tinha com a Pirelli, para R$ 15 milhões agora com a Samsung. Então não é um desempenho que possa ser considerado ruim.
Os valores no Brasil ainda são baixos?
O marketing esportivo e todas as suas ações correlatas no Brasil tem a sua relação custo-benefício muito elevada. As empresas já estão começando a perceber que é vantagem colocar dinheiro numa parceria em times grandes como o Palmeiras, que tem uma forte presença nacional, exposição grande, que vai disputar também uma Libertadores. Agora, é importante você ter um time bom, qualificado, para valorizar a marca do parceiro. Com tudo isso conseguimos chegar a esses valores, que é bem razoável para a situação econômica atual.
Atualmente é um dos maiores do Brasil.
Mas corresponde com a nossa posição também nas vendas de pacotes de pay-per-view, nas apostas da Timemania… se tivermos a ventura de conquistarmos títulos nos dois ou três próximos anos, certamente vamos chegar junto, de novo, com os nossos adversários.
Para uma pessoa como o senhor, que têm um currículo invejável, ganhador de prêmios, com um nome na história econômica e acadêmica do Brasil, é mais fácil presidir um clube de futebol ou nesse mundo, que é tão único e envolve tanta emoção, isso não faz diferença?
Ainda não sei o quanto isso ajuda (risos). Vai depender do nosso desempenho administrativo mesmo. A experiência anterior, o fato de ter tido uma formação diversificada, de com 20 e poucos anos eu ter seguido para a Unicamp, ter sido assessor do Secretário da Fazenda do governo Funaro, assessor do Ulysses Guimarães, ter participado intensamente da política brasileira nos anos 70 em condições muito adversas… isso tudo me dá uma experiência grande para tratar de situações novas, saber lidar com a adversidade e até com a emoção. Acredito que a minha administração no Palmeiras vai ser marcada por essa compreensão dos limites. Tenho muitos projetos para o clube social e para o futebol, pretendo conseguir patrocínios para que o clube volte a disputar os campeonatos de vôlei e basquete profissionais. Essa é mais uma forma de valorizar a marca.
E para o futebol?
O Palmeiras tem um parceiro excelente, que tem nos ajudado a trazer bons jogadores, as revelações do último campeonato. Os clubes brasileiros só tem condições de trazer contratar jogadores quando seus contratos estão terminando. Então os jogadores mais jovens acabam escapando do Brasil. Isso é uma coisa que a imprensa ainda não sublinhou. Certamente Keirrison e Marquinhos estariam indo direto para o exterior se não fosse a Traffic e o Palmeiras garatindo a permanência deles aqui, pelo menos por algum tempo. Eu espero que os clubes do futebol brasileiro se unam por aumento dos valores de contratos, da remuneração da sua marca, que tem grande audiência.
Falta união entre os clubes brasileiros para isso?
Temos que lutar para que as várias propriedades dos clubes sejam mais valorizadas. Esse é uma plataforma que eu tenho, de propor aos clubes que se juntem num programa, que deve ser a médio prazo, de conquistar uma posição melhor, do ponto de vista financeiro, nas relações com todos os negócios que tem a ver com o futebol. Estou falando das novas mídias também, você não pode juntar tudo num pacote e negociar isso assim. O futebol brasileiro é um grande negócio com clubes sub-financiados. Chegou a hora de invertermos um pouco isso.